Recitais Improváveis da AAM
Urze de Lume

Fundados no inverno de 2009, URZE DE LUME é uma forma de memória viva do imaginário ancestral português.
Fortemente inspirado pela tradição ibérica, o projecto procura através da música, celebrar as raízes que alimentam a identidade de um povo e que o unem à sua terra.
O seu repertório transmite a alma sobrevivente de uma era em que homem e natureza caminhavam lado a lado, com o respeito pela terra, pelo oculto, e pela sua origem.
Ao longo dos anos, URZE DE LUME veio a afirmar-se como expoente máximo em Portugal de um novo movimento que abraça a espiritualidade e as tradições atávicas não apenas como pontos de partida mas também como directrizes fundamentais nas suas incursões pela música Folk, onde pontificam sobretudo instrumentos étnicos da Península Ibérica, entre os quais o rabel, a gaita transmontana, a viola campaniça e as percussões tradicionais.
Ao longo de mais de uma década de existência, URZE DE LUME conta com um extenso currículo de actuações ao vivo não apenas por Portugal, mas também pelos maiores festivais Europeus.
Da fraga à penedia,
Do córrego ao ribeiro,
Da brisa à ventania,
Da chispa à fogueira.
“Bravios” invoca e convoca os mais ancestrais elementos que habitam a paisagem da alma portugalesa. Na sublime arte das musas, com maestria urdida, os Urze de Lume oferecem com destemor o seu sacro ofício num tributo ao imorredouro, à natureza naturante e naturada, coroando aquilo que é, em essência, verdadeiramente Real, porque incorruptível, porque indomável.
Do cervo ao berrão,
Da alcateia à vara,
Do gamo ao trovão,
Do monte à serrania.
Pois este inspirado animismo sonoro brota de incriada nascente, dando de beber ao inquieto espírito, que saciado e silente se permite reverdecer. Entre bruma e breu se entreabrem os portais que conduzem ao arbóreo concílio do rei das árvores. Em telúrico cortejo se pontifica a soberania da terra, que com silvano espírito corpuscular se eleva ao firmamento, num serrano uivo que tudo expressa sem que uma única palavra seja proferida. No entanto, ainda assim tudo é bem-dito, pela bem-aventurada montesa vara que canta e cura.
28 de febrer del 2026
R. Nova da Trindade 18, 1200-303 Lisboa, Portugal
